São Borja, o Texas Gaúcho: Berço de cultura

| Por Karine Freitas*|



São Borja, cidade gaúcha localizada na fronteira oeste do Estado. Vizinha dos Hermanos argentinos e historicamente conhecida como Terra dos Presidentes. Por aqui, já viveram Getúlio Vargas e João Goulart, dentre outras figuras importantes para a história do País. Porém, a cidade, igualmente, é considera o Texas dos Pampas.


Essa característica ressaltada pelo São-Borjense e os visitantes advém do forte calor, da terra vermelha e da longitude da cidade para com as demais localidades que fazem divisa com o município. Apesar disso, São Borja está há alguns quilômetros de distância da Argentina. Deste modo, como se pode perceber que a cidade possui muitos atributos e nenhuma característica que a delimite com apenas um diferencial.


O município é, igualmente, muito rico em cultura e cultivo as suas tradições seculares. Porém, o que às vezes pode passar despercebido é a capacidade e o potencial literário que a cidade possui. Deste modo, escrever sobre São Borja também envolve refletir e atuar na sociedade da qual se faz parte e projetar-lhe novos olhares que vá de encontro ao desenvolvimento regional.


O escritor e morador de São Borja Ramão Aguilar, compreende que, durante anos, as produções literárias, em São Borja, tiveram o papel de registrar a cultura da cidade e sua historicidade. “A poesia nativista, com o seu amor à terra, é muito importante para se ter esses usos e costumes de São Borja. A cidade tem, em si, duas histórias: a espanhola e portuguesa, que acumularam toda a cultura que os povos da fronteira sofreram”, explica Aguilar.


É importante lembrar que uma cidade é constituída com base em uma memória que a antecedeu, com pessoas e personagens que atuaram fortemente para que uma dada localidade torne-se o que é atualmente. Por esta razão, refletir e trazer para o contexto atual a cultura de uma comunidade é essencial para reviver memórias e, desta forma, haver a identificação cultural de um povo para com os seus precursores.


Segundo Aguilar, atualmente, existem mais de 40 escritores São-Borjenses que produzem e tomam como inspiração a cultura e as características do município, dentre elas o Texas dos Pampas devido à sua geografia plana e o clima fortemente soalheiro. O escritor conta que a escrita sempre esteve presente na cidade, porém nunca foi valorizada como merece. “Nós sabemos que nunca teve o destaque que deveria merecer. Precisa de mais incentivo da população. Vejo uma falta de incentivo, estamos apenas engatinhando nesse sentido”, comenta. Para Aguilar, a área precisa que as produções sejam projetadas para a região.


Com base neste ponto de vista, pode-se observar que uma cidade precisa para o seu desenvolvimento regional e histórico de uma forte contribuição da cultura. Há uma necessidade de reafirmação de políticas públicas que caracterizem a valorização da cultura, do patrimônio e da memória para que de fato aconteça a luz de nossa sociedade a formação de novos conhecimentos e que estes, da mesma forma, possam se imbricam com os antigos para a formação de uma riqueza cultural.


Conforme dados de pesquisas municipais, o número de escritores em São Borja vem aumentando desde os anos 1990. Porém, pode-se ressaltar que a maior parte das obras produzidas pelos escritores são-borjenses são regionalistas, por ser um movimento muito forte no Rio Grande do Sul.


O escritor e poeta, colunista do jornal Folha de São Borja, Clemar Dias, é um dos cidadãos que integram esse grupo nos dias atuais. Ele destaca que São Borja é inspiração e que o amor por sua terra faz parte de sua história com a poesia. Também observa que, às vezes, pode-se esquecer do que se lê. No entanto, aquele conhecimento fica sedimentado no subconsciente. “A gente é o produto daquilo que lê. Eu me considero produto do que eu leio e, se eu escrever alguma coisa, automaticamente, vai demonstrar os andaimes dos conhecimentos que eu tive na minha base”.


Em conclusão, podemos reafirmar que São Borja é uma cidade muito rica em diversos segmentos sociais com características que lhe são próprias e com potencial extremamente elevado para o desenvolvimento da região no que tange a parte cultural e histórica. Ressaltamos ainda, que, uma cidade desenvolvida é um lugar que investe em inovação e valorização de sua terra e do que nela é produzido, bem como, os frutos que da mesma são abstraídos.


* Karine Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Pampa - Unipampa, cursa especialização em Marketing Digital e é mestranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Indústria Criativa da Unipampa.



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